História dos Naturalistas em Minas Gerais

Prof. Dr. Pedro Paulo de Souza

A história das Minas Gerais é a história das catas de ouro e faiscação de diamantes pelos ribeirões e córregos que cortavam a região montanhosa dos matos gerais dos índios cataguás. Em 1553 Sebastião Fernandes Tourinho penetrou em Minas Gerais pelo vale do Rio Doce. Em meados do século XVII Marcos de Azevedo subiu o Rio Doce e o Rio das Caravelas, e trouxe dessa viagem esmeraldas e amostras de prata (Saint-Hilaire 1816). Mais tarde os bandeirantes também entraram em Minas, mas à caça de índios, entretanto, apenas em 1662 formaram expedições destinadas a explorar as riquezas dos solos e dos rios. Estes desbravadores criaram condições para que mais tarde os naturalistas pudessem percorrer a região de Minas Gerais.

saint hilaire

Saint-Hilaire

Entre os principais naturalistas destacam-se Johan Baptist von Spix e Karl Friedrich von Martius que no ano de 1817 percorreram a região desbravando a densa cobertura florestal, que constituía um obstáculo sério à penetração: “Trevosa mata virgem ensombrava-nos e, de longe, chegavam-nos aos ouvidos os mais estranhos sons de animais”. Auguste de Saint-Hilaire no ano de 1816 descreve toda a dificuldade na exploração das Minas Gerais “Era preciso penetrar em uma região eriçada de montanhas, coberta de florestas gigantes, habitada por tribos bárbaras”.

Spix e Martius em 1818 relatam toda a grandiosidade das matas que outrora ocuparam a região de Minas Gerais “… achamo-nos diante da espessura de uma mata, na qual parecia nunca haver penetrado o sol”. “Densas grinaldas de lianas, com cortinas de flores de todos os matizes, ligam árvores gigantescas umas às outras, entre as quais se elevam fetos escamosos, formando majestosas alamedas verde-escuras e frescas, que trespassa o viajante, num enlevo solene, interrompido apenas pelos gritos estridentes dos papagaios, o martelar do pica-pau ou os urros dos monos”. Estes mesmos naturalistas em viagem de Vila Rica, atual Ouro Preto, em direção ao presídio de São João Batista, atual cidade de Visconde do Rio Branco, relatam a grande dificuldade em atravessar a vegetação que encobria a Serra de São Geraldo: “A picada ficou tão estreita, que a custo passava uma mula atrás da outra: escuro como inferno de Dante fechava-se a mata, e cada vez mais estreita e mais íngreme, a vereda nos levou por labirintos meandros, a profundos abismos, por onde correm águas tumultuosas de riachos…

Johan Baptist von Spix e Karl Friedrich von Martius

Johan Baptist von Spix e Karl Friedrich von Martius

Outros naturalistas e coletores desbravaram o estado de Minas Gerais, principalmente as cidades de Mariana e Ouro Preto. Entre os estrangeiros destacam-se: Georg W. Freyreiss (1814-1815), Johann E. Pohl (1818), George Gardner (1840), Auguste F. M. Glaziou, George H. Langsdorff (1824-1829), Peter W. Lund (1825-1828), Karl F. P. Martius (1818), Auguste de Saint-Hilaire (1816-1818), Theodor Peckolt (1848-1850). Entre os brasileiros destacam-se João B. Rodrigues (1876), Francisco P. M. Gomes (1869), Carlos T. M. Gomes (1865), Alberto M. Gomes (1871), Carlos H. M. Gomes (1874), Joaquim C. C. Sena, Álvaro A. Silveira (1894). João G. Kuhlmann, Agnes Chase e Howard S. Irwin contribuíram de maneira valiosa como coletores da flora mineira.

Na década de 20 o Professor Peter H. Rolfs coletou plantas na região de Viçosa, representantes das famílias Amaryllidaceae, Iridaceae, Leguminosae e Myrtaceae. Na década de 30 a coletora Ynes Henriquetta Jullieta Mexia realizou um total de 1.340 plantas coletadas para a região, sendo suas coletas incorporadas ao herbário da Universidade Federal de Viçosa (VIC). Estes desbravadores representam um marco na contribuição do conhecimento da região de Minas Gerais.